Cheguei lá. Cheguei lá?

Parece a sinopse de um filme Made in Brazil clássico: o menino pobre, de família nordestina, que passou por um monte de dificuldades…

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Parece a sinopse de um filme Made in Brazil clássico: o menino pobre, de família nordestina, que passou por um monte de dificuldades, chegou lá.

O neguinho do aparelho nas pernas do primário, o índio do segundo grau, o crioulo, vizinho novo do prédio, já adulto e pagando suas contas, finalmente chegou lá.

E chegar lá não é um lugar, não é uma cifra, não é sentimento. Chegar lá é apenas, e nada mais, um descanso para sentar-se, tomar um café, olhar para o horizonte, pensar, refletir, encarar novamente o horizonte e escolher pra onde ir, pra chegar lá tantas vezes quanto for possível até o lugar que todos chegaremos: a finitude da nossa própria história.

Esse chegou lá, em especial, começou lá trás, com um casal que acabara de se casar com uma mulher esperando já um filho. E que num piscar de olhos, o viram crescer, dando toda educação possível e corretudes. Não podiam dar o que os vizinhos davam, carrinhos, video games e tudo que é de verdade importante no contexto pessoal de uma criança, mas que, na sabedoria que só temos quando viramos pais, também vamos entender anos depois que valeram muito mais.

Nessa época, eu já era o neguinho do aparelho nas pernas para muitos, Léozin para alguns outros. 5 anos foram os que a ortopedia mais promissora me dava como necessário para que eu não tivesse as pernas tortas e uma locomoção prejudicada. 5 anos vendo minha mãe no corredor chorando, porque eu não conseguia desamarrar as botas ortopédicas que precisava usar pra dormir, e tinha que me arrastar até o banheiro pra fazer xixi. 5 anos de descobertas diferentes para uma criança: das limitações, do início da maldade inocente e embutida na sociedade, de imersão em um eu muito mais cedo do que deveria fazê-lo.

Me tornei um contador de histórias, uma criança ávida por conhecer mais e mais para surpreender os amiguinhos, na esperança de que o neguinho do aparelho nas pernas fosse mais que isso. Os elogios das professoras e a amizade verdadeira me fizeram chegar mais perto de lá, do que de cá, daquele início letárgico.

No ginásio, ninguém sabia mais na nova escola quem era o neguinho do aparelho nas pernas: nem eles, nem minha mãe, nem eu. Eles conheciam o Léo que passava cola, se divertia até com os apelidos sacanas com o nome do pai nordestino que erraram na caderneta de presença (que virou LeovergilOdo, uma vogal inocentemente colocada ali e que rendeu gargalhadas histéricas dos amigos que me chamavam de LODÃO). Eu ria junto, talvez por estar feliz por não ser mais o neguinho do aparelho nas pernas ou talvez por enxergar que as amizades verdadeiras haviam aumentado: talvez pela primeira vez, não era um apelido maldoso relacionado à minha cor ou meu corpo.

Foram 4 anos que cheguei lá várias vezes, com poesias, momentos memoráveis com velhos verdadeiros e agora saudosos amigos, de elogios, de aluno nota 10 em matemática, do amigo que ajudou os outros a passar de ano com os trabalhos e as colas passadas nas provas.

Na minha cabeça de adolescente, eu tinha chegado lá. Minha mãe também, em seu chegando lá particular, dando aulas numa escola tradicional e conseguindo botar os filhos num lugar que nunca conseguiria normalmente.

Nessa época, o recém criado curso de processamento de dados brilhou no horizonte como meu novo chegar lá. Antes da primeira prova, pensei de verdade que nunca chegaria: os algoritmos e estruturas de dados, tanto requisito mínimo para ser um bom programador e o título imponente do livro azul que mais me acompanhou desde então, não entravam na minha cabeça. Até que, depois de estudar por literalmente dias a fio, um estalo na minha cabeça, esse sim cinematográfico, me fez entender aquilo e fazer os primeiros exercícios entendendo tudo. Caramba, esse foi AQUELE cheguei lá pessoal, íntimo e inenarrável que a gente tem e lembra pra vida toda.

Lá eu não era mais Lodão: era o Índio, que começara uma nova jornada para se tornar um programador, sem pretensão, sem planos: apenas para chegar lá.

Só que o Universo, em seus ajustes, fez meu pai chegar lá antes do que a gente queria. Num acidente de navio, na derradeira máxima “lugar errado na hora errada”, meu pai, um dos que mais me ensinaram — mesmo ao seu modo meio militar e durão — a ser correto, honesto e humilde, chegou mesmo sem querer, no seu pessoal, intransferível e intransponível lá.

Na verdade, demoramos 3 dias para saber disso: foram horas excruciantes para minha mãe, minha irmã e para mim. No noticiário, em que esse era apenas mais um que chegou lá no meio de tantos outros, afortunados ou com o mesmo azar, a busca pelo corpo do pai de família que havia sofrido um acidente em seu dia de descanso tomava alguns minutos de tela.

3 dias depois, um pedaço de carne em estado avançado de putrefação que um dia foi o pai que me olhou nos olhos e falou, profeticamente, dias antes, foi encontrado. Não tive coragem de vê-lo. No caixão cerrado, velado apenas com uma foto e todo o peso da perda contido dentro de si mesmo, chegava lá um dos momentos mais complexos que me lembro ter passado.

O choro, a lamentação e a desconcerteza das pessoas em suas tentativas afáveis e autênticas de tentar ajudar a suprimir a dor ficaram por dias ecoando como um burburinho à volta dos meus ouvidos: o único som audível ainda era a voz do Lodão.

2 dias antes, em sua forma mais relaxada depois de algumas semanas merecidas de descanso, forrado com todo tipo de besteiras que podia comer e diversão que poderia se proporcionar, meu pai chamara para sentar embaixo do nosso mal formado pé de cajá: este, palco de muita brincadeira com a família, onde servira de banco, de lugar pra fugir de surras e tudo mais.

“Léo, quando o papai falar com você sobre economizar e ser responsável… porque quando o papai não está em casa, você é o homem da casa. Você tem que cuidar da sua mãe, da sua irmã, da casa, dos cachorros e de tudo aqui tá?”

A conversa foi quase exatamente essa, sem abraços no final e aquele tapinha nas costas seguido de uma massageada nos ombros, que era uma das suas especialidades e seu bordão “tá certo campeão?”.

Pro meu pai, todo mundo era campeão, chefe… Sua simplicidade e humildade só não eram maiores que sua prestatividade com as pessoas e sua preocupação com a família.

Este foi o prólogo de um período conturbado, de muita luta familiar (éramos e ainda somos um pouco, como família, péssimos com finanças) e mais que tudo, uma cobrança auto infligida que me chicoteava e serpenteava com responsabilidade, “cuidar da família” e afins sibilando na minha cabeça em cada estalo.

É nessa parte que as milhões de pessoas, com suas histórias pessoais já complexas, não chegam lá… não por conta de capacidade, mas por tudo o que uma sociedade ainda imatura tem: preconceito, falta de oportunidade para quem não teve oportunidade, um pré-julgamento baseado em qual a sua cor, onde você mora, se você tem carro ou não e todo tipo de inferência “socialmente” aceitáveis.

Pensei que iria chegar lá quando me chamaram para ser professor de Windows num curso do bairro. Eu iria ganhar no final de um curso caso desse lucro, mas misteriosamente nunca deu. Me fizeram pensar ainda que chegaria lá, instalando correções do Bug do Milênio com uma roupa comprada às pressas pela minha mãe, pra juntar com roupas da minha formatura de anos antes, e uma pasta de courino falsificada para dar boa impressão … mas nunca cheguei. Em contraponto, o dono do curso ficou muito bem, obrigado.

Mas cheguei em algum lugar depois disso. Aprendi, cresci.

Agora eu não era mais o Índio, mas o Leonardo Carvalho Freire, um muleque que estavam falando que fazia bem os tais dos sites e sabia mexer naqueles códigos pra gravar coisas nos bancos de dados na internet e tudo mais.

Alguns empregos depois, o Leonardo, virou Léo, que virou Léo Hackin, apelido de um grande amigo que tinha tantas chegadas lá quanto eu tinha, num contexto diferente mas tão comum quanto tantos de nós.

Olhando hoje, acho que foi o primeiro momento em que senti novamente que tinha chegado lá de fato. Eu tinha começado a poder ajudar mais em casa, sentia que ninguém mais me julgava pela cor, por onde eu morava, se eu tinha carro ou não. A lembrança dos aparelhos, do Bug do Milênio e tantas outras agora eram apenas motivo de reflexão, piadas (algumas sem graça e com minha contribuição na culpa) e uma jornada que por si só já me inspirava (e à minha família) a achar que tinha chegado lá.

O Léo Hackin ralou muito nos anos 2000 e sempre reforçava, mais e mais, que estava tudo certo.

Depois de muita luta, finalmente comprei meu primeiro carro: um Escort 95 com motor mexido de um amicíssimo meu. Um carro autêntico de um cara autêntico.

Minha família e eu achamos que tinha sido um chegou lá emblemático. Eu era o primeiro, em duas gerações da nossa família, a comprar um carro (um sonho distante pro meu pai à época que mal conseguia pagar as contas e por o que comer em casa).

Mas a sociedade está sempre pronta para te dizer o contrário.

E num dia ensolarado, depois de uma negociação para um sistema que me daria uma boa grana, os velhos fantasmas esfregaram na minha cara que não.

Você pode achar que sim, dizia a vida, mas eu vou te lembrar que não.

Havia sido recomendado para desenvolver todo um sistema complexo que ninguém topava fazer ou que saira muito caro. Indicaram o Léo Hackin pra fazer: ele estava fazendo muitas empresas chegarem lá, com um preço e prazo justos. Reunião feita, soluções apresentadas, prazo e preço definido, no ar ficara a certeza que estava tudo certo. Era um projeto longo, complexo e que mesmo assim, tinha certeza, estava muito barato para o que seria entregue: a famosa bagatela.

Na saída, um das diretoras foi em direção ao estacionamento em que eu estava indo. Conversas animadas sobre o que iria rolar, nos separamos e fomos cada um para seu respectivo carro. O dela, um carro do ano na época as SUVs ainda eram uma realidade longe pra mim até mesmo em relação à saber o que era uma SUV (eu só dividia o mundo em carros pequenos, carros grandes, carros antigos e fuscas — pra ser sincero é assim hoje em dia ainda, mas um pouco menos pior). O meu, o velho e mais bem cuidado Escort 95 com parachoques de plásticos que meu dinheiro podia comprar.

Se fechar os olhos, sinto até hoje o olhar de julgamento, decepção, acho que um pouco de desprezo e até asco lançado sobre mim.

As órbitas dos olhos me olharam de baixo até em cima para terminar com um sorriso sem graça e um email, 3 dias depois, falando que o orçamento tinha ficado muito além do esperado.

Engoli seco, arrumei-me e fui na concessionária comprar o melhor carro 0KM que poderia parcelar em quantas prestações eu pudesse fazer.

Com um talão que pesava mais que a Bíblia às mãos, tanto no peso físico quanto no simbólico — seria um livro que me acompanharia por muuuuito tempo, esse não foi naquele momento um chegou lá.

Um carro 0km é, num tocante do momento, uma realização de sucesso pra muita gente, principalmente alguém de onde tinha vindo: eu não me permiti.

O carro era como um tributo obrigatório que me senti obrigado a pagar pra uma sociedade que me julgava não pelo que sou, pelo que sei, pelo que fui como pessoa, mas pelos meus adereços. Por muitos meses (acho que anos), cada prestação me fazia lembrar que chegamos lá algumas vezes porque não chegamos a outro lugar.

Prosperei, cheguei lá mais vezes, com menos julgamentos.

Agora, eu era um Léo Hackin mais maduro, um pouco mais preparado para não chegar lá as vezes e entendendo que as pessoas são produto de uma sociedade vil e que, às vezes, não dá chance de nem mesmo tentar chegar lá. Mas isso não é culpa, inteiramente delas.

Ou é?

Mudei-me para um prédio dos mais bacanas. AP amplo, elevadores novos, localização privilegiada: senti que cheguei lá mais uma vez por entender que era inimaginável para mim a alguns anos aquele momento. Minha família estava em festa: estava tudo dando certo. O passo foi dado por um daqueles caprichos do flow do Universo com um irmão que a vida deu. Abrimos a porta, olhando pela sacada e bateu aquele sentimento de realização que marca a gente.

Aperto o elevador, crianças saem correndo como só as crianças fazem. Aperto o botão para o meu andar e, entrecortado entre uma voz aguda se afastando rápido e o quase-fechar da porta, ouço um “Crioulo”.

Entre um sorriso sem graça e uma exclamação, quase um murmúrio, “esses muleque são foda…”, aquela invasão no recinto da alma tilintava em todos os cantos possíveis:

será, de verdade, que eu cheguei lá?

Meu amigo compensara minha frustração contida com a revolta que eu deveria ter tido “vamos ver quem são os pais” e eu pensei: Pra quê?

Algumas cervejas preparadas no balde com alquimia, física e muitas risadas me fizeram me lembrar do fato com a nostalgia dúbia que temos do “a gente vai rir um dia disso tudo quando lembrar”. Os dias, semanas e meses seguintes foram de muitas chegadas.

E, em um dos meus vários e longos momentos introspectivos, me dei conta da proporcionalidade do quanto chegamos lá e de quanto as pessoas, sociedade, Universo e seja-lá-o-que-dita-onde-vamos-chegar não nos permitem.

O sentimento vira o produto da lembrança de quantas vezes me foi permitido (esse, eu sinto, que é o termo) e me permiti chegar lá, sem medo, sem ansiedade, pelo que represento e pelo que sou em essência, independente da minha cor, da minha postura altruísta — várias vezes abusada, dos meus dentes desalinhados, da minha fala rápida e confusa quando estou sob pressão e da minha “cara de bobo”.

Esse estalo veio com mais força e repetição quando, num daqueles pontos no tempo únicos, abro a primeira empresa que posso dizer que deu certo com mais um irmão que a vida me deu.

E aqui abro um grande parênteses sobre esses movimentos que a vida trás: a vida provê. Todo ensinamento que precocemente me foi limitado pela perda do meu pai, foi me dada por amigos, irmãos, que me ensinaram de uma forma, mais branda mas igualmente contundente, sobre muitas das coisas que não tive uma figura paterna pra ensinar. (se vocês estiverem lendo isso, vocês sabem bem são).

Agora, todo dia, toda hora, chegava lá: ajudando as pessoas, recebendo uma palavra amiga, aprendendo e crescendo, sendo escorado pelos ombros e abraços amigos. Até mesmo nas contradições e momentos pesados, eles e o mundo me faziam chegar lá.

Um quinhão foi-me dado na partida desse sonho…

O Hackin, que ia pro trabalho de chinelos, jogava video game no almoço e comida na padaria da esquina, era agora gerente de um time enorme de pessoas talentosas, negócios, de vidas, destinos e diretamente responsável por muito mais estórias de chegadas e não chegadas.

Trocara a bermuda e os chinelos por um jeans, camisa de gola polo e um tênis.

Pela primeira vez me prostrei sobre um choque de realidade, um entorpecer da lógica, o eureka ao contrário: e quando você não deveria ter chegado lá?

Alguns afortunados descobrem onde querem chegar logo nos seus primeiros anos de vida. Há quem diga que algumas pessoas já nascem com seu destino escrito — afortunados e desafortunados, de fato. Sinto-me no grupo dos inquietos, daqueles que olham pras coisas com um brilho nos olhos para quase tudo que é novidade.

Passado algum tempo, senti o peso da escolha. Eu tinha, num dos poucos momentos da vida de qualquer otimista, aquela certeza clara de que eu não deveria ter chegado lá, não daquele jeito, naquele contexto.

Ofegante, ainda levanto a mão, gritando sufocado como naqueles sonhos de terror noturno, à plenos pulmões num ambiente rarefeito onde nenhum som se propaga. Ninguém me ouvira.

Então, fez-se escuridão. Das amplas janelas, desceram-se persianas, conduzidas por dedos que não eram os meus. Seu movimento sincronizado, enfim, bloqueava todas as frestas por onde poderia ver algo lá fora. “Chegou ao fim algo que não deveria ter chegado lá”, sentia.

Tive um blecaute. Sentia os olhos me observando por um buraco aqui e acolá. Podia ouvir, com clareza, as vozes lá fora. Ora murmurando, ora me incentivando, ora me imputando o escárnio, gargalhando.

Até que ouço uma porta se abrindo atrás de mim, uma voz familiar me falando “Alguém acabou de chegar”.

Meu filho nasce.

E com ele uma enxurrada de sentimentos, emoções e os desafios da primeira paternidade.

Chegar lá agora era fazê-lo dormir, protegê-lo, ver seus primeiros passos, sorrisos involuntários. Acho que nunca na vida a gente está preparado pra entender a força e a ligação que temos com esses pequenos momentos. Aos trancos e barrancos, conseguimos passar pelos primeiros meses da melhor forma que podemos: comemorando chegadas, repensando despedidas.

Nunca nos preparamos, adequadamente, para sermos pais, mas a boa intenção e a natureza de nosso ser nos surpreendia todo dia, toda hora, em todo momento. E, apesar de olhar de relance ainda aquelas persianas fechadas, me sentia com luz suficiente e amplitude de visão pra tentar chegar lá mais uma vez.

A avidez de tentar chegar lá de uma só vez cobrou um preço pesado da minha momentânea frágil sanidade, saúde e do meu tempo.

Como manter coração e cérebro separados, dissociados de contexto e relevância? Assim, tive um ano de aprendizados onde, da forma mais visceral que qualquer empreendedor pode sentir…

Abri duas empresas e fali duas empresas.

Não a falência de recursos propriamente dita, mas a falência de propósito, de direção, de esperança pras pessoas e do seu fundador.

E novamente, no contra-ponto mais mágico que podemos ter, não ter chegado lá com essas empresas me fez chegar lá no minha auto consciência como ser humano.

Do alto e perto dos meus 40 anos, finalmente me entendi. Senti que chegara meu Eureka, o reluz da pedra filosofal, o sentido. E este não era o fim por si só, mas nunca ficara tão claro em que ponto da jornada eu me encontrava.

Sentei-me, observei e vi que a vida inteira bifurquei-me, cheguei às vezes tão longe quanto pude, indo até onde me permitia ou permitiam-me chegar, para voltar para o caminho original, seja por onde cheguei, seja por outros caminhos muito menos agradáveis e muito mais desafiadores.

Uma paz na alma me inundou por dias. Me fez olhar o mundo com outra perspectiva. O mundo, por sua vez, mudou pra sempre. Outros tempos, outras formas de se viver, de se relacionar.

E depois de experimentar novamente o prazer de ser apenas eu, da melhor forma que eu poderia finalmente viver, o mundo bateu na minha porta novamente. As vozes atrás da persiana silenciaram-se.

Encostando os ouvidos nelas, ouvi alguns passos se aproximando para dizer: Hackin, vem. E eu fui.

E eu acho que novamente, mas agora num contexto e com um Hackin todo diferente, cheguei verdadeiramente lá.

Não o lá fisico, profissional, financeiro… é aquele lá que você sente que seu espírito chegou em várias esferas da sua existência.

Aos 40, sinto que não importa quantas vezes chegamos ou não chegamos lá, porque a verdade (e a beleza) da vida é que sempre estaremos mais perto ou mais longe disso e o que importa, de verdade, é nos mantermos o maior tempo possível em nosso caminho original, com a curiosidade de tentar caminhos alternativos com a certeza do aprendizado que teremos nele e a força armazenada para voltarmos ao ponto inicial.

Não deixe de ser quem você é, nunca, porque é isso que vai fazer o lá chegar até você.

Namaste.