The (unfinished) Life Loop: o fim de um ciclo de 10 anos e o que vem pela frente

10 anos de Giran e Wine.com.br. O que aprendi, o que estou aprendendo e o que acho que vem pela frente. :)

850 palavras 5 min de leitura

Aloha,

Hoje, quando me perguntam sobre o sentido da vida, respondo sempre prontamente que é ter saúde, amor (através da família, amigos e por um instinto social para com os outros) e poder comer o que quiser (quando puder comer).

Esse contexto mudou com o tempo, germinado pela jornada desses últimos 10 longos anos de aprendizado como empreendedor digital e profissional de e-commerce. :)

Num longínquo 2009, nascia a Giran E-commerce Solutions. Uma pirraça premeditada em forma de startup criada por mim e meus inoxidáveis sócios/irmãos Paulo e Keila Jeveaux, que rodou seus primeiros meses sobre uma mesa que era nosso escritório, nossa mesa de almoço e jantar. Nosso primeiro aporte: um empréstimo pessoal de 10k que virou itens essenciais para exprimir nossa visão e valores — um ar condicionado, uma TV (pro video game) e uma cafeteira porreta. Se perguntarem hoje pra gente porque, responderei que sentíamos no fundo do coração que aquilo era importante pra servir de caução para nosso vindouro mantra.

Pessoas felizes fazem software de qualidade.

Conquistamos clientes importantes (nosso maior, a Wine.com.br), respeito do mercado nacional e internacional, entramos num nicho de mercado inexplorado localmente, criamos uma plataforma de e-commerce, viramos referência para fornecedores, clientes que acreditaram em nossa competência mesmo pequenos e pessoas que acreditaram em nosso proposta de valor, de sonhos e de onde queríamos chegar. Mais importante que isso, é ainda sermos lembrados pelas pessoas como “o Google Capixaba” ou “aquela empresa foda que todo mundo queria estar”. Até no jornal a gente saiu: fruto de um cotidiano onde video game, cerveja, chinelos e bermudas eram consonantes com um trabalho irretocável de desenvolvimento de software.

É… a gente sentiu que tinha conseguido algo.

Fizemos várias palestras e conversamos muito com as pessoas sobre como alcançamos aquele momento de nossa startup e as pessoas se assustavam sempre em como chegamos até ali: transparência com nossa proposta e valores, que eram simples, diretos e praticados em tudo que fazíamos. Mais que a intensidade, nossa consistência e consciência da importância do crescimento orgânico e fidelidade ao que pregávamos desde o início foram, na minha visão, o principal responsável por tudo ter dado tão certo.

Era então 2016, e tudo deu tão certo que o namoro entre nós e a Wine virou casamento: fomos adquiridos para manter a operação do então maior e-commerce de vinhos da América Latina. Pra trás, deixávamos 7 anos de uma vida puxada de empreendedores pra um desafio gigantesco, tanto tecnológico quanto financeiro. Pela frente, um desconhecido pacificado por um modelo de negócio, uma marca consolidada no mercado e um time porreta.

Como gestor de pessoas e de times de desenvolvimento, o grande desafio era gerar o impacto de um time agora totalmente dedicado e conhecedor da tecnologia do negócio ao mesmo tempo que manter as raízes, preceitos e valores que fizeram aquele time

Aprendi muito com os processos e as pessoas, e pude me encontrar com uma realidade muito disruptiva em relação ao empreendedor de “se-vira-nos-trinta”: algo muito maior, mais intrincado, mais complexo. Foram três anos de muitas entregas, muito aprendizado, onde criei e co-criei muita coisa legal (de sistemas a novos canais de negócio que hoje estão bombando), consertei, melhorei e, obviamente, errei para ter oportunidade de entender, corrigir e continuar melhorando.

A pouco mais de um mês e meio, esse loop de 10 anos se findou.

A transição é sempre um momento de reflexão profunda sobre tudo o que você se tornou como pessoa, como profissional, sobre como sua visão sobre a vida, o Universo e tudo mais se transmutou em relação ao mundo, as pessoas e ao que você fez e faz.

Continuar ou mudar? Atravessar novamente aquela linha a auto-invenção que atravessei em 2009 quando larguei uma carreira promissora de desenvolvedor e consultor para empreender?

Seja lá o que for, estou certo de que algo dentro do meu bordão sobre o sentido da vida mudou mais uma vez. Nesse meio tempo virei pai de primeira viagem de um muleque lindo, investi em dois sonhos que darão frutos a longo prazo mas muito mais importante: me deparei com meu eu pós-transitório, despido daqueles medos cotidianos, e me surpreendi como ele parece muito com meu eu pré-transitório, aquele que abriu uma startup.

Das ansiedades e certezas universais de uma vida dentro do ciclo, estando fora dele, me encontrei com um eu de perspectivas pessoais, existenciais e em equilíbrio. Acho que minha natureza ou o eu interno que os livros de Zen tanto falam.

Hoje, me pego numa reflexão que permeia o que fazer com uma bagagem de 20 e tantos anos de web, praticamente metade deles como uma startup e lidando com e-commerce, liderando times e criando coisas.

E no meio disso, vejo um contexto adicionando uma coisa a mais.

O importante é ter saúde, amor, poder comer o que quiser e fazer o que você gosta de verdade.

O que levo da vida desses 10 anos? Muito #orgulho de ter criado e vivido a Giran com as pessoas, forma, desafios e problemas que passamos. Muito mais #orgulho de ter contribuído e vivido a Wine.com.br com tudo o que podia.

Hey Ho!