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	<title>Léo Hackin 0.2c &#187; poesia</title>
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		<title>Roupas, fiapos, lembranças e alguns livros</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 03:35:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Hackin</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Na vastidão tua, e um pouco do além sentimento, minha compenetração beira o alarde silencioso do ébrio. Os sentidos perdidos no fundo do copo misturam-se no balanço do corpo outrora inerte, outrora sereno, outrora imultável. Os olhos revolvem as intenções em busca de um alento justificável ou menos senil. As inverdades perduram em volta do [...]]]></description>
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<p>Na vastidão tua, e um pouco do além sentimento, minha compenetração beira o alarde silencioso do ébrio. Os sentidos perdidos no fundo do copo misturam-se no balanço do corpo outrora inerte, outrora sereno, outrora</p>
<p>imultável.</p>
<p>Os olhos revolvem as intenções em busca de um alento justificável ou menos senil. As inverdades perduram em volta do que fora o templo de tudo, adornando o sem número de pescoços dependurados sobre as imensas paredes da</p>
<p>consciência.</p>
<p>Copo, corpo &#8230; corpo, copo &#8230;  copo, corpo &#8230; copo, corpo &#8230; copo, copo &#8230; o encejo do já tênue confunde, comprime, corrompe a lógica. O escape aturdido confunde-se com o meio já debilitado.</p>
<p>Véu e céu revestem gente e sonhos, respectivamente. O que fora áspero enfim tornara-se agradável ao recosto dos dedos, olhos e lábios. A imperfeição mais evidente moldara-se numa peça de admirável bom gosto estético, digna de admiração, norteios e adjetivos afins. E as palavras &#8230; as palavras entrecortam-se afunilando intenções tardias e vindouras para breve e depois, num sentido de normalidade casual geralmente e infinitamente distoante do que deveria-se ter a seguir.</p>
<p>Os dentes, dispostos numa cadência de vãos-dente-váo-dente-vãos-dente finita, exibem certo esplendor e quase uma expressão própria: os dentes fitam em seu esplendor perfilado e contínuo &#8230; finito.</p>
<p>O que os lábios traduzem afinal ? No limiar do compreensível eles aproximam-se do injustificável, onipresente e sensivelmente tenro. Talvez o sentido realmente não seja mais que algumas bobagens alocadas coincidentemente numa sequencia que em certo plano de possibilidades teria, claro, uma razão.</p>
<p>O que é a vida senão uma sequência deliciosamente abominável de possibilidades aleatórias. De sorrisos perdidos e lástimas escondidas no fundo do bolso. De dentes exemplares e cabelos ruivos, loiros, negros, desgrenhados. De faces desconhecidas em nossos momentos mais importantes. De mãos furtivas tateando nossos valores e esperanças. Mãos nossas, mãos deles &#8230; mãos suas.</p>
<p>Mas que se dane! Diluo meu âmago pouco a pouco em um copo de alcool e logo logo tudo volta a ser como antes: feliz, finito e imutável.</p>

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