MVPs e a frustração do cliente: lean startup a que custo?

Agora pela manhã me deparei com a notícia, comum hoje em dia, de um jogo que foi lançado no prazo mas cheio de bugs e instabilidades. Comum pois com o advento da tecnologia e de consoles de video game cada dia mais “inteligentes” e conectados, as empresas, seja lá qual tamanho tenham, estão cada vez mais viciadas no recurso de download de atualizações que as deixou, sim, preguiçosas em ter um controle de qualidade real como antigamente.

Lembro que na minha época nos jogos das plataformas 8/16/32 bits (Atari, Nintendinho, Master Systen, Super Nes, Mega Drive … vou parar porque a lista é grande) quase inexistiam esses bugs bizarros. Não existia essa de baixar atualizações (nem internet tinha direito) e as produtoras se esforçavam ao máximo para entregar jogos quase perfeitos: ou o jogo era maneiro ou os jogadores taxavam o jogo de todos os impropérios juvenis que se possa imaginar (só me lembro do “jogabilidade podre“).

Resultado de hoje: um sem número de clientes e early adopters frustrados com downloads intermináveis (alias, ligue agora seu PS4 e talvez você já tenha uma atualização lá hahaha), experiência de consumo recheada de frustração e um número de infinito de vídeos no Youtube com os bugs mais bizarros. Alias, com esses jogos agora com motores de simulação de física reais os bugs são cada vez mais engraçados – procure por glitch ou glitches.

Hoje em dia, como quase tudo que é atualizável, todos sofrem diretamente com a mania do MVP, sacrificando a qualidade final (ou aceitável) de um produto em nome do time-to-market, de investidores/empresas $edento$ por re$ultado$ e a desculpa de que “a gente pode lançar um patch depois né? o que importa é tirar a galera da seca”.

O termo MVP (Minimum Viable Product ou Produto Viável Mínimo) foi popularizado (diz a Wikipedia) no icônico livro Lean Startup (Startup Enxuta em português) do Eric Ries.  Ele diz:

Um produto minimamente viável (MVP) é a “versão de um novo produto que permite a equipe a coletar a quantidade máxima de aprendizagem validadas sobre clientes com o mínimo esforço.” – Wikipedia

Isso é totalmente válido na validação/desenvolvimento de negócios e novos nichos de mercado: afinal, quando a Apple por exemplo estava criando o iPod, a gente sequer imaginava que isso podia existir daquela forma – então, como saber o que as pessoas querem e definir a qualidade e atributos finais do produto? Porém, hoje com essa pre$$a e imediatismo em fazer dinheiro rápido os lançamentos de produtos (sejam games ou softwares) esquecem-se cada vez mais da qualidade mínima que um produto deveria ter para atender minimamente a satisfação do usuário ou invés de usa-lo como cobaia no processo de coleta de feedback.

Um tipo de MVQ (Mininum Viable Quality ou Qualidade Viável Mínima) deveria fazer parte integral do processo de lançamento de um produto. Quais são realmente as necessidades mínimas que preciso entregar pro meu cliente pra que ele fale “esse é um produto de qualidade”. Um consumidor de jogos precisa minimamente que o frame rate dos jogos não degrade em cenas com muitos elementos, principalmente em jogos de luta. Um consumidor de um software de estatística de negócio precisa de uma forma fácil de agregar seus dados para gerar seus gráficos. E por ai vai …

Esse MVQ deveria fazer parte do todo mas é totalmente ignorada desse pega-estica-e-puxa entre o dilema de se ter tempo de acabar bem o produto e o temos-que-ter-um-time-to-market-rapido-porque-estamos-sem-grana tirano.

Agora deixa eu ver se tem uma atualização aqui rapidin …