Archive for the ‘poesia’ category

Roupas, fiapos, lembranças e alguns livros

fevereiro 17th, 2009

Na vastidão tua, e um pouco do além sentimento, minha compenetração beira o alarde silencioso do ébrio. Os sentidos perdidos no fundo do copo misturam-se no balanço do corpo outrora inerte, outrora sereno, outrora

imultável.

Os olhos revolvem as intenções em busca de um alento justificável ou menos senil. As inverdades perduram em volta do que fora o templo de tudo, adornando o sem número de pescoços dependurados sobre as imensas paredes da

consciência.

Copo, corpo … corpo, copo …  copo, corpo … copo, corpo … copo, copo … o encejo do já tênue confunde, comprime, corrompe a lógica. O escape aturdido confunde-se com o meio já debilitado.

Véu e céu revestem gente e sonhos, respectivamente. O que fora áspero enfim tornara-se agradável ao recosto dos dedos, olhos e lábios. A imperfeição mais evidente moldara-se numa peça de admirável bom gosto estético, digna de admiração, norteios e adjetivos afins. E as palavras … as palavras entrecortam-se afunilando intenções tardias e vindouras para breve e depois, num sentido de normalidade casual geralmente e infinitamente distoante do que deveria-se ter a seguir.

Os dentes, dispostos numa cadência de vãos-dente-váo-dente-vãos-dente finita, exibem certo esplendor e quase uma expressão própria: os dentes fitam em seu esplendor perfilado e contínuo … finito.

O que os lábios traduzem afinal ? No limiar do compreensível eles aproximam-se do injustificável, onipresente e sensivelmente tenro. Talvez o sentido realmente não seja mais que algumas bobagens alocadas coincidentemente numa sequencia que em certo plano de possibilidades teria, claro, uma razão.

O que é a vida senão uma sequência deliciosamente abominável de possibilidades aleatórias. De sorrisos perdidos e lástimas escondidas no fundo do bolso. De dentes exemplares e cabelos ruivos, loiros, negros, desgrenhados. De faces desconhecidas em nossos momentos mais importantes. De mãos furtivas tateando nossos valores e esperanças. Mãos nossas, mãos deles … mãos suas.

Mas que se dane! Diluo meu âmago pouco a pouco em um copo de alcool e logo logo tudo volta a ser como antes: feliz, finito e imutável.

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