Sobre dizer SIM e dizer NÃO

Parece mais do mesmo e as vezes óbvio mas a gente tinha que aprender desde cedo que mais importante que dizer Sim é dizer Não e que muito mais importante do que saber o que fazer é saber o que NÃO fazer.

Isso é um discernimento que o mundo tira (ou tenta tirar) da gente muito cedo através dos falsos dogmas travestidos de produtividade desesperada, alta eficiência e afins e que faz sua vida pessoal, profissional, amorosa, ética e tudo mais ter muito mais sentido e qualidade.

O problema não é produzir e ser eficaz mas sim o que isso vai trazer efetivamente pra vida da gente (em todos os sentidos).

Nossa noção de que ficaremos velhos e veremos nossos netos correndo à nossa volta não conta com os “soluços” que a vida dá e sua opção de dizer Sim ou Não no momento certo pode dizer se isso vai se concretizar com você correndo atrás deles ou sentado numa cadeira.

A vida é bonita pra caralho, nossos amigos e nossa familia são uma rede preguiçosa pra se deitar e principalmente nunca é tarde pra dizer NÃO praquela coisa que você insiste e só te traz dor e SIM praquelas coisas esquecidas no fundo da gaveta que te deixavam feliz de uma forma que nem você próprio sabe explicar. Um churrasco? Jogar RPG numa tarde com os amigos comendo biscoito? Comer pastel com pimenta sem nenhum dinheiro no bolso sonhando que seu negócio um dia vai ser legal ou quem sabe fazer uma gentileza que pra você não é nada mas quem quem está recebendo vai ser um gesto imensurável de carinho, afeto e preocupação.

Vamo que vamo que a vida taí, passando com tudo que importa, acenando e te oferecendo carona enquanto você fica ai de cabeça baixa vendo no seu FB a vida dos outros e imaginando que ela poderia ser a sua quando na verdade nunca vai ser.

MVPs e a frustração do cliente: lean startup a que custo?

Agora pela manhã me deparei com a notícia, comum hoje em dia, de um jogo que foi lançado no prazo mas cheio de bugs e instabilidades. Comum pois com o advento da tecnologia e de consoles de video game cada dia mais “inteligentes” e conectados, as empresas, seja lá qual tamanho tenham, estão cada vez mais viciadas no recurso de download de atualizações que as deixou, sim, preguiçosas em ter um controle de qualidade real como antigamente.

Lembro que na minha época nos jogos das plataformas 8/16/32 bits (Atari, Nintendinho, Master Systen, Super Nes, Mega Drive … vou parar porque a lista é grande) quase inexistiam esses bugs bizarros. Não existia essa de baixar atualizações (nem internet tinha direito) e as produtoras se esforçavam ao máximo para entregar jogos quase perfeitos: ou o jogo era maneiro ou os jogadores taxavam o jogo de todos os impropérios juvenis que se possa imaginar (só me lembro do “jogabilidade podre“).

Resultado de hoje: um sem número de clientes e early adopters frustrados com downloads intermináveis (alias, ligue agora seu PS4 e talvez você já tenha uma atualização lá hahaha), experiência de consumo recheada de frustração e um número de infinito de vídeos no Youtube com os bugs mais bizarros. Alias, com esses jogos agora com motores de simulação de física reais os bugs são cada vez mais engraçados – procure por glitch ou glitches.

Hoje em dia, como quase tudo que é atualizável, todos sofrem diretamente com a mania do MVP, sacrificando a qualidade final (ou aceitável) de um produto em nome do time-to-market, de investidores/empresas $edento$ por re$ultado$ e a desculpa de que “a gente pode lançar um patch depois né? o que importa é tirar a galera da seca”.

O termo MVP (Minimum Viable Product ou Produto Viável Mínimo) foi popularizado (diz a Wikipedia) no icônico livro Lean Startup (Startup Enxuta em português) do Eric Ries.  Ele diz:

Um produto minimamente viável (MVP) é a “versão de um novo produto que permite a equipe a coletar a quantidade máxima de aprendizagem validadas sobre clientes com o mínimo esforço.” – Wikipedia

Isso é totalmente válido na validação/desenvolvimento de negócios e novos nichos de mercado: afinal, quando a Apple por exemplo estava criando o iPod, a gente sequer imaginava que isso podia existir daquela forma – então, como saber o que as pessoas querem e definir a qualidade e atributos finais do produto? Porém, hoje com essa pre$$a e imediatismo em fazer dinheiro rápido os lançamentos de produtos (sejam games ou softwares) esquecem-se cada vez mais da qualidade mínima que um produto deveria ter para atender minimamente a satisfação do usuário ou invés de usa-lo como cobaia no processo de coleta de feedback.

Um tipo de MVQ (Mininum Viable Quality ou Qualidade Viável Mínima) deveria fazer parte integral do processo de lançamento de um produto. Quais são realmente as necessidades mínimas que preciso entregar pro meu cliente pra que ele fale “esse é um produto de qualidade”. Um consumidor de jogos precisa minimamente que o frame rate dos jogos não degrade em cenas com muitos elementos, principalmente em jogos de luta. Um consumidor de um software de estatística de negócio precisa de uma forma fácil de agregar seus dados para gerar seus gráficos. E por ai vai …

Esse MVQ deveria fazer parte do todo mas é totalmente ignorada desse pega-estica-e-puxa entre o dilema de se ter tempo de acabar bem o produto e o temos-que-ter-um-time-to-market-rapido-porque-estamos-sem-grana tirano.

Agora deixa eu ver se tem uma atualização aqui rapidin …

 

O Globo Play, noveleiros e consumidores de conteúdo alternativo?

Foi anunciado nessa terça (03/11/15) o lançamento do Globo Play, a plataforma de digital de conteúdos da Globo. Parafraseando, “é possível acessar a programação da emissora – jornalismo, esporte e entretenimento – em computadores, smartphones e tablets.”. Ok. Mas hoje quase todo mundo tem isso!

Poderia ser normal e natural, mas quando uma emissora do tamanho da Globo faz um movimento desse (e com a capacidade brutal de produção de conteúdo que eles tem) a consternação com o fato da TV como a TV é vai morrer se mistura ao fato de que: não, a TV não vai morrer nem virar um shopping onde você aponta o controle e compra. A TV vai se fundir com a Internet MESMO.

Não se fundir como aqueles programas dinâmicos com #hashtags, leituras de tweets ao vivo e toda uma parafernalha que, sinceramente, o “povo da internet” acha chato e até incomodo (exceto quando uma pessoa como a Paula Tejano e Thomas Turbano manda um tweet lido ao vivo).

A fusão mais palpável é o que está acontecendo hoje por exemplo com o mundo do cinema dos quadrinhos. A Marvel fez/faz um trabalho magistral, fazendo filmes com grandes personagens, inflando todo um cenário e mundo fértil que fomentam a inserção de personagens secundários. Esses personagens já geraram filmes, spin-offs e a um ano começou a gerar seriados como o Demolidor e alguns outros que irão estrear esse ano. E advinhe só: fatos acontecidos no filme afetam diretamente os seriados e começa agora o movimento contrário de fatos das mini-séries começando a aparecer e gerar filmes.

Por que falo do cenário da Marvel… o consumidor de novelas é um consumidor tão (ou mais) voraz de histórias (quando cheia de reviravoltas, intrigas e espetacularização do ser humano) quanto o consumidor regular de quadrinhos em certo ponto. Até mais voraz e passional na verdade com personagens cruéis e ruins. Hoje, o mesmo público que assiste as novelas é o que acessa o ZapZap o dia inteiro, sabe das novidades no Facebook, vê vídeo de gatinho no Youtube e não tem mais aquela limitação da “inclusão digital” como obstáculo para procurar as coisas na internet. Esse MESMO público assistiu seriados (e ainda assiste) na época do SBT. E advinhe só: ele adora entender o que acontece com seus personagens preferidos (pro bem ou pro mal) e lembra até dos detalhes mais simples.

Minha provocação é: a Globo Play pode potencialmente criar novos consumidores híbridos de conteúdo? Tiazinhas noveleiras que vão acessar conteúdo exclusivo sobre seu personagem preferido na Internet? Uma nova geração de gente que corre pra não perder o horário da novela e depois irá correr pra internet porque ficou sabendo que liberaram o vídeo falando da origem do nome do “João Pipoca”?

Embora as novelas não mimetizem de forma tão forte o conceito do monomito como os seriados/filmes/quadrinhos fazem para criar toda uma esfera de fascínio, existem um link muito forte entre o espectador e seus personagens nas novelas. Isso ja seria o suficiente para essa nova geração acostumada com videos e youtube a não ter medo nem preguiça de buscar conteúdos exclusivos quando “chamados” da forma certa pra isso.

Na novela Torrentes da Paixão, João Pipoca é um cara legal e que todos conhecem por ajudar todo mundo. Maria do Carmo é uma mulher severa e com o coração amargurado por uma paixão não resolvida. José Wilker é um cara misterioso e que tem alguma relação com Maria do Carmo.

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Durante o arco 1 da história, a Globo avisa no final da novela “veja em Globo Play outras histórias de João Pipoca”. No fervor do arco 2, onde descobrem que Maria do Carmo tinha outro nome a Globo solta “descubra porque Maria se transformou em Maria do Carmo no Globo Play”. No arco 3, José visivelmente fica nervoso quando lhe perguntam sobre como conquistou sua fortuna. A Globo solta “O Segredo de José, agora no Globo Play”. No arco 4, acontece um encontro entre Maria do Carmo e José Wilker. Durante o encontro, algumas coisas que acontecem tem ligações diretas com as subtramas contadas nos videos adicionais, como o corte de cabelo diferente que a Maria do Carmo usa (no video sobre ela, ela deixa de usar cabelo longo e para usar um mais curto por um motivo X … não vou falar aqui, assista o vídeo).

Hoje, mais do que nunca, podemos esperar mais que o vídeo da música das Periguetes? Por uma TV com mais Avenidas Brasil com conteúdo exclusivo. :)

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Valorize pessoas, não processos

Já dizia o Manifesto Ágil (e continua dizendo) como um mantra …

Indivíduos e interação entre eles mais que processos e ferramentas

Mas até que ponto nós, não apenas como desenvolvedores mas como pessoas, levamos à cabo como agilistas ou simpatizantes de metodologias ágeis esse princípio? Mais que isso: até que ponto temos consciência de quanto esse princípio rege não apenas processos mas todo o entorno e mais dramaticamente TUDO num projeto quando pensamos que TUDO é usado, avaliado e aprovado por outras PESSOAS.

MUITO MAIS que resultantes de desempenho, produtos de qualidade e projetos mais humanamente sustentáveis, esse princípio trabalha muito intimamente com o sucesso de uma empresa, marca e seus serviços.

Dúvida?

Meu problema com travas elétricas

Quem me conhece, ouvia muito falar uma frase quando pegavam carona comigo (um carro 4 portas) e viam que as travas estava todas manuais: “Vou levar meu carro amanhã pra consertar…“.

O problema não era inteiramente meu: apesar de ser um cara enrolado, existe um processo chamado “Agendamento” da concessionária que:

  • limitava-me a levar o carro bem cedo com um dia pré-agendado
  • me fazia deixar o carro lá e conhecer, em tese, o problema real na parte da tarde e com a possibilidade de pega-lo apenas no outro dia
  • me fazia voltar pro trabalho e sair dele pra pegar o carro de busão

Apesar de tudo, o processo funcionava bem dentro de um certo contexto, pois não precisava enfrentar fila de atendimento, com sorte eles lavariam meu carro (de grátis), seria feito por profissionais (recurso ou indíviduo?) treinados pra mexer com o meu carro e existia um prazo médio (embora pouco confiável) que poderia sair com o carro consertado no mesmo dia.

Os processos são muito importantes, principalmente em empresas de maior porte onde o padrão de qualidade do produto/serviço depende bastante de um fluxo de ações e validações que certifiquem que as coisas vão funcionar bem sempre e de um modo controlado. Em pequenas empresas e pequenos grupos de trabalho, um processo pode ser substituído em partes (ou até totalmente) por indivíduos e interações.

MESMO nas grandes empresas, ainda sim, os indivíduos e interações podem fazer uma extrema diferença na qualidade: afinal, todo processo é suscetível à inconsistências e nesse ponto o indivíduo, com sua experiência e todo tipo de qualidade pessoal, vai fazer diferença.

Então qual o problema/diferencial no processo? São os indivíduos.

Indivíduo #fail: o atendente/consultor (ou quem está na frente)

Liguei para a concessionária e fui atendido por um indivíduo que atendeu-me prontamente, mas com uma certa impessoalidade incômoda, e agendara meu atendimento para as 8:30 de um dia naquela semana. O dia chegou e o alívio/sossego/esperança de não ter que sofrer mais piadas como “[tom irônico] Amanhã né Hackin?” era tão latente que o dinheiro a ser investido na resolução do problema, naquele momento, era o de menos (não, eu não sou rico … quem pode falar coisas sobre ricos é meu amigo @makoto_vix).

Cheguei para o atendimento e o indivíduo atendente me chamou pelo horário, pelo “quem chegou primeiro?” e só depois pelo nome. A contar que não era o único ali, isso passaria batido pelo meu autruísmo exagerado se não fosse pelo tratamento recheado de “Uhun”s, de “Sei”s e sem uma resposta muito convincente ou entendível ao meu “Bom dia!” recheado de dentes: aquele estava sendo um bom dia pra mim, será que pra ele não? Seja lá qual o problema, estava diante de um indivíduo totalmente guiado pelo processo.

Um indivíduo guiado pelo processo é como estar em piloto automático: não importa o que você seja, ele esta ali apenas para dar fluxo ao processo. A dispêndio de energia e atenção se limita apenas ao que é necessário para concluir o processo. Talvez quem você é po$$a significar algo e otimizar um pouco as coisas.

O indivíduo atendente então me passou o número de meu atendimento e pediu-me para que ligasse por volta das 15:00 para saber do meu problema. Será mais econômico ao processo eu ligar para saber sobre meu carro ao invés do indivíduo? Liguei e fui informado que parte do serviço tinha sido feito (tinha pedido também pra alinhar e balancear) e que o problema das travas estava sendo concluído: eu poderia pegar o carro ao final da tarde. A esperança do produto em mãos me fez deixar pra lá uma interação linear e sem contato humano com este indivíduo.

Às 18:25 chegava na concessionária e recebo a notícia de meu indivíduo atendente que o alinhamento do meu carro não tinha sido feito e que não tinham ainda descoberto o problema real das minhas travas: de acordo com indivíduo atendente, o indivíduo técnico estava com a caixa de fusiveis e tudo mais aberto lá. Como o horário de fechamento era às 18:45, apesar de muito chateado – quase puto – resolvi esperar dizendo que precisava do carro e se talvez rolasse dele descobrir algo nesses 20 min: recebi um “talvez, mas eu acho difícil…”.

5 mins depois o indivíduo atendente me informa que o problema poderia ser que as 4 travas elétricas tinham queimado simultaneamente devido a algum curto e que o valor do conserto seria de R$ 1.000,00. Questionei como 4 travas poderiam queimar ao mesmo tempo e a resposta foi um “Eu também achei bem estranho e se quiser posso conferir com o responsável pela oficina amanhã“. Amanhã? Levei o carro sem consertar as travas e voltei para fazer o alinhamento (e perder mais tempo) dois dias depois. Estranhamente uma indivíduo atendente me ligou perguntando porque não havia levado: porque não haviam me ligado assim no mesmo dia para falar sobre meu carro ao invés de me fazerem ir até lá?

A história é meio grande propositalmente para apontar bem os detalhes do atendimento. Podemos detectar alguns problemas propiciados não pelo processo, que possivelmente não tinha problemas salvo algumas melhorias, mas pelo indivíduo que disparou as ações do processo:

  • o tratamento impessoal causou um efeito anti “Efeito UAU! de atendimento” (sou programador, mas aprendi com grandes pessoas grandes coisas – valew Márcio Gomes! – que me fizeram uma pessoa e profissional melhores): não me surpreendeu, nem encantou e isso ajudaria bastante à experiência de uso num todo. Mesmo com um resultado abaixo do esperado ou sem nenhum resultado, minha experiência de uso teria sido boa se a empatia do indivíduo envolvido diretamente em minha interação tivesse sido melhor
  • as pessoas são guiadas muito mais pela sua experiência de uso do que as vezes pelo preço: 1k poderia ser um valor justo por um serviço “especializado” se minha experiência de uso estivesse sendo boa. A insatisfação inicial gerou enfim o questionamento sobre o valor e a vontade de “pexinxar”. Quem nunca parou e comprou algo na primeira loja apenas porque o indivíduo envolvido no processo era tão bom que lhe fez sentir-se seguro com a compra.
  • o indivíduo comprometeu a confiabilidade do processo quando
    • me relatou que meu carro tinha apenas o problema das travas para resolver quando nem o alinhamento havia sido feito
    • demorou 5 mins orçar e relatar um problema que em tese não tinha sido feito nem descoberto por todo um dia mas por “mágica” foi feito em 5 min
  • o indivíduo se aproveitou dos gatilhos e ações do processo para conclui-lo mas de forma a startar apenas mais um processo para quem é dependente dele.

Então, do que adianta investir num processo bem feito se os indivíduos envolvidos na sua execução não estão “comprometidos”?

Várias empresas da área de tecnologia e desenvolvimento ainda acreditam que investir em processos seja melhor para a empresa do que investir nos indivíduos que executam esses processos. Você como empresário ou como desenvolvedor ainda acredita nisso? Tente imaginar algumas situações como:

  • Quanto do seu processo de relacionamento é otimizado pelo indivíduo que se relaciona diretamente com seu cliente, tanto na questão de prazos e requisitos quanto em tudo o que envolve o que não é diretamente relacionado ao processo mas tem TUDO para tornar a conclusão ou qualidade dele excelentes?
  • Quantas descisões são influenciadas pela empatia dos indivíduos envolvidos no processo?
  • Quanto da qualidade final do seu produto é impactado diretamente pelo indivíduo, devido às suas idéias mais que suas certificações?
  • Qual é seu melhor quantitativo de desempenho: um processo que segue seu fluxo de forma correta ou os feedbacks positivos de seus clientes em todas as esferas possíveis?
  • Como você garante que todas as etapas/ações de seu projeto estão gerando o máximo de retorno para o seu cliente? Ligações pós-atendimento de avaliação não conseguem desfazer o pior dos estragos que é a experiência de compra abaixo do UAU! ou até mesmo abaixo do mínimo aceitável para cada cliente.

Imagine-se como um cliente e todas as situações como essas que passei e pergunte-se de forma analítica, pessoal e envolvendo o que você avalia como importante num atendimento:

Na minha empresa o que me traz diferencial são os indivíduos ou meus processos?

Indivíduo #WIN: numa oficina de 5 indivíduos funcionários

Como sou brasileiro e não desisto nunca, aproveitei o feriado para procurar uma oficina. Numa cidade ao lado encontrei uma oficina com 5 indivíduos funcionários, entre eles o indivíduo dono.

Prestativo, um indivíduo funcionário me recepcionou de forma informal mas muito pessoal, perguntando como estava o dia e como poderia me ajudar. Expliquei meu problema e ele de pronto afirmou que quando uma trava parava todas paravam e poderia ser um problema no módulo. Pediu-me 10 min para que um outro indivíduo, que “mexia melhor que ele” com travas, pudesse me atender.

Esperei por 25 mins, mas com 2 ou 3 interações dos indivíduos da oficina me dizendo que não demoraria muito. O processo até aquele momento me parecia simplista e até intuitivo, mas a interação do indivíduo me trouxe uma calma do tipo “Sem problema, vou aproveitar pra ler um livro“. Findada a espera, José me deu bom dia de uma forma humilde e pessoal, abriu o painel onde ficava o módulo, mexeu pra um lado e pro outro vários fios e em 15 min ele me disse: “Deve ter rolado um curto circuito, pois a corrente chega aqui – me apontando a porta – mas as travas não funcionam. Vamos ter que trocar as 4 travas.”.

Minha experiência de uso estava sendo muito bacana, mas lembrar dos R$ 1.000,00 me deram um amargo na boca até que ele disse “O jogo de travas e o serviço fica por R$ 280,00 e você pode pegar no final do dia“. WOW!!!!!

Pára tudo …

  • Atendimento UAU!
  • Preço UAU!!
  • Prazo UAU!!!!!!

Assenti prontamente mas às 18:00, chegando com pontualidade inglesa por sorte, meu carro ainda estava faltando a ultima trava da porta. Durante os testes, um dos indivíduos dissera que o pino da porta da esquerda estava meio enpenada e a porta não tava fechando direito mas que já tinha ACERTADO ela para mim e agora estava “filet”. 40 mins depois do horário dos indivíduos e meu carro estava pronto, com teste geral de lanternas, vidros e tudo mais. Um “Boa noite” cheio de cansaço mas sincero até a ultima vogal.

O processo estava ali escancarado no final das contas:

  • Receber o cliente
  • Verificar o problema
  • Passar orçamento e prazo
  • Executar o serviço

Algo muito próximo e parecido com o da concessionária, mas o que fez a diferença COMPLETAMENTE foram os indivíduos… o José mereceu os R$ 15,00 da gorjeta pra tomar umas na sexta a noite e a oficina minha moral eterna pela ótima experiência de uso que acabara de ter.

  • o indivíduo proporcionou qualidade a um processo que prevê ações definidas mas que cobre apenas em parte a real experiência de uso de um usuário
  • o indivíduo, mais que o processo, é quem de verdade proporcionou a validação positiva do processo
  • processos são inflexíveis, lineares e o que se poderia ter de “inteligência de decisão” são nada mais que algoritmos que não se comparam à empatia e tato que um indivíduo pode ter no momento de uma venda
  • um processo não reconhece um sorriso como um feedback válido para alteração de um fluxo
  • processos podem burlar indivíduos, indivíduos podem ser burlados pros processos, mas é bem mais difícil um indivíduo burlar outro indivíduo (as vezes hahaha)

Construindo uma marca com indivíduos

Depois de tudo isso, podemos ter uma noção melhor do quanto o indivíduo pesa muito mais numa empresa que um processo. Empresas grandes e flácidas tem um grande problema quando trabalham com zilhões de funcionários e não conseguem detectar de forma enfática e hábil quando esses indivíduos fazem perder todo o processo ou pior: não conseguem enxergar quando esses indivíduos é que fazem toda a diferença no atendimento.

Podemos citar aquele garçom que você sempre procura no bar, aquele mecânico que você conhece pelo nome e não pela oficina em que ele trabalha… os indivíduos são nossa referência nos lugares em que vamos e mantemos um link de confiança e segurança. Quando temos pontos qualitativos sob a forma de indivíduos exemplares em nossas empresas, nossa empresa se torna mais pessoal, mais próxima de quem faz nossa empresa crescer: os usuários.

Agora, se a sua empresa é ainda pequena ou seu centro de produção ainda é restrito a um grupo menor, porque você ainda valoriza mais processos do que indivíduos?

É incrível como varios empresários ainda acreditam que os indivíduos são todos substituíveis, como porcentagens num planilha ou recursos no gráticos Gantt, e que os processos da empresa são o suficiente para a empresa continuar saudável … mas será que estabilidade é sinônimo de sucesso ou apenas de “acomodação”. Empresas não quantificam de forma efetiva o quanto de capital social e humano perdem quando deixam de aumentar um salário em R$ 100,00 ou proporcionar um ambiente de trabalho bacana para um indivíduo que pode representar a qualidade que seu processo tenta emular ou manter de forma artificial e não tão efetiva.

Exemplo clássico é a Giran, empresa em que trabalho e que me serve de inspiração para muito do que sempre pensei com meu sócio Jeveaux.

A Giran é construída pelas pessoas que a compõem: idéias, confabulações, inovações, melhorias de gestão, contratações e até o café que tomamos é uma decisão tomada pelos INDIVÍDUOS que temos em nosso time. Nada escapa ao julgamento das pessoas e nossos processos é quem acabam trabalhando a favor dos indivíduos e felizmente não o contrário.

O que a empresa é hoje lá fora é o reflexo do comprometimento e profissionalismo das pessoas que estão lá dentro. A “marca” Giran não é fruto de um processo admirado por todos: as pessoas admiram uma marca pelo que ela proporciona à elas. Em nosso caso, as pessoas sempre nos elogiam pela nossa abordagem, às coisas e problemas que estão à nossa volta de forma transparente, sincera e fluída. E quem faz isso são nossos indivíduos. :)

Indivíduos, Indivíduos …

Depois dessa Bíblia, a flexão mental sobre o quão importante um indivíduo é antes do processo tomou um bom rumo, mas longe de chegar ao tremendo brainstorm que isso pode se tornar dentro de sua empresa, entre seu time ou mesmo com parceiros, sócios e quem mais seja importante.

Alguns funcionários, pessoas ou “recursos” não tem a real noção do que eles são dentro de um organismo tão complexo quanto a experiência de uso que deve ser proporcionada às pessoas que se relacionam com ela.

  • um e-mail áspero de um programador, pode gerar um sentimento nada bacana com um cliente na frente
  • o modo como seus funcionários se comunicam com seus fornecedores e cliente pode estar gerando maus sentimentos
  • um “Bom dia … tudo certo” e um  “Abraço” no final de um e-mail pode fazer a diferença (para melhor ou pior)

Agora imaginou o quanto você, do outro lado da moeda, já passou por isso e sabe (sinceramente) o quanto isso fez a diferença?

Pense nisso. :)

Zonas de Convergência nos Games

Essa semana o mundo geek da tecnologia parou para conferir a E3 2009, a maior feira de entretenimento eletrônico do planeta. A feira é a oportunidade perfeita para as empresas lançarem produtos, tirarem onda e principalmente mostrarem o que está por vir.

Claro que como nerd/geek tarado por video games (um dia ainda vou ganhar grana com isso) eu pirei com todos os jogos e tecnologias que estão por vir. Mas nada se compara a extremamente grata surpresa proposta pela (cof,cof) Micro$oft.

Sim, a Micro$oft: na época que todo mundo duvidava dela quando o Xbox chegou pra bater de frente com consoles como o PS2, eles botaram pra quebrar com o XBOX 360. O fato dele ter sido “destravado” primeiro foi um impulso e tanto aqui no Brasil, movido pela pirataria, pra todo mundo compra-lo: o PS3, quem diria, perdeu espaço pra ele e pro Nintendo Wii.

A Nintendo, depois de amargar uma “menopausa tecnológica”, emplacou o Nintendo Wii, com um detalhe ignorado num mundo por tempos regido mais pelo processamento do videogame do que suas formas de iteração: a forma de controle do jogo.

Sem um controle de duzentos botões como seus concorrentes, impeditivo e carrancudo para muitos “mortais”, o Nintendo Wii primou pela simplicidade em seu controle, mas de uma forma inusitada: o controle com quase nenhum botão mas com uma forma de iteração por movimento que revolucionou o mundo do video game.

Quem já teve uma experiência num Wii pode dizer que não existe nada igual. A liberdade é impressionante e a forma de iteração com os jogos um trunfo: foi a volta dos jogos simples pra família inteira jogar, sem se preocupar com aquela monstruosidade de botões. Hoje, até o papai e a mamãe podem jogar finalmente, como nos bons tempos do Atari. O video game enfim voltou a ser uma “diversão família” novamente.

Isso era impressionante até a E3 2009, quando a M$ apresentou o Project Natal: uma forma de iteração que não usará nem controles físicos, nem botões. O Project Natal vai permitir a iteração pura e simplesmente por captação de movimentos e voz! oO

Confesso que havia MUITO tempo que não ficava abismado com algo: desde os tempos do primeiro iPhone, do Ubiquity, do Google Earth e do próprio Wii, eu não sentia aquela sensação que dá vontade de falar “Puta queo pareo!”.

O projeto se baseia em camêras, sensores e um microfone para que a pessoa possa iteragir com o game. Game ??? Agora cheguei ao ponto que queria chegar.

Que os video games estão aos poucos se tornando portas viáveis para os mais diversos tipos de aplicação ja é notório: os jogos educativos foram o início dessa revolução, mas hoje com o advento das conexões de banda larga em praticamente todos os video games, as atualizações e customizações das característica dos games, como novos personagens, fases, músicas e afins, deram um poder INFINITO de extensão dos jogos.

E-learning aplicado à tantas áreas que não conseguiria enumerar aqui, RPGs com cunho educativo, MMORPGs sociais com “quests” do tipo “Estude isso, faça a prova para ganhar tal coisa”. É tanta coisa que passa na minha cabeça que eu poderia ficar aqui por dias digitando.

Com o Project Natal extrapolamos a simulação imperfeita das ações do jogo, baseado em botões e direcionais, para uma simulação muito mais perfeita. O chute na bola vai ser mecânico e corporal, diferente da combinação de botões+direcional ou mesmo situações fisicamente irreais.

Agora imaginem só as seguintes situações:

  • Você jogando um RPG ou jogo de tiro de primeira pessoa, onde você pode olhar para qualquer direção, trocar de arma movendo os braços, atirar mirando na pessoa que quiser …
  • Um RPG onde você ao inves de clicar num NPC (aquela galera que você conversa para saber informações no jogo), dizer perto dele “Ei, posso falar com você?” e ele lhe responder prontamente. Mais que isso, um RPG inteligente que ao invés de lhe dar informações já pre-definidas, possa responder mais “humanamente” a uma pergunta qualquer, mesmo que sem sentido;
  • Um jogo de xadrez onde vc move as peças do seu sofá;
  • Jogos de aeróbica e exercícios físicos;
  • Um Guitar Hero onde você toca Air Guitar e ainda por cima ele conta como nota o quanto você “agitou e quebrou tudo no palco”. Ohhh Yeah;
  • Jogos infantis onde a criança vai iteragir com os personagens para aprender coisas falando com os personagens: o personagem pergunta “Ei Fulano, quando é dois mais dois?” … “Isso! Você acertou”. Esqueçam as cartilhas;

Será que estamos às portas de uma revolução não apenas dos video games e do entretenimento eletrônico, mas de uma revolução na forma da distribuição de conhecimento por uma mídia tão potencialmente multi-facetada como a dos video games ?

Eu estou pagando pra ver! :)