Humanized Daily Scrum

Uma das mais efetivas e cruciais ferramentas de comunicação numa equipe ágil é certamente a Daily Scrum (conhecida também como Stand Up Meeting no XP).

Esse evento é uma reunião em pé de curto espaço de tempo (pelo Scrum Guide, 15 min) com todo o time com o objetivo de compartilhar informações sobre o projeto, inspecionar o progresso do time em direção ao objetivo da Sprint (ou do objetivo do time em geral) e identificar possíveis problemas que possam comprometer esse objetivo.

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Porque as pessoas vem antes de qualquer metodologia

Estamos em 2016. Tudo o que achávamos que sabíamos sobre Scrum, Agilidade, Lean, Kanban e afins provavelmente se consolidou ou não tem mais aquele misticismo de 6~7 anos atrás.

Com isso na bagagem, fui chamado para bater um papo para uma turma de MBA aqui no ES num workshop de Gestão da Produtividade para a turma de Gestão estratégica de pessoas sobre como desenvolvemos software na Wine.com.br.

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Sobre dizer SIM e dizer NÃO

Parece mais do mesmo e as vezes óbvio mas a gente tinha que aprender desde cedo que mais importante que dizer Sim é dizer Não e que muito mais importante do que saber o que fazer é saber o que NÃO fazer.

Isso é um discernimento que o mundo tira (ou tenta tirar) da gente muito cedo através dos falsos dogmas travestidos de produtividade desesperada, alta eficiência e afins e que faz sua vida pessoal, profissional, amorosa, ética e tudo mais ter muito mais sentido e qualidade.

O problema não é produzir e ser eficaz mas sim o que isso vai trazer efetivamente pra vida da gente (em todos os sentidos).

Nossa noção de que ficaremos velhos e veremos nossos netos correndo à nossa volta não conta com os “soluços” que a vida dá e sua opção de dizer Sim ou Não no momento certo pode dizer se isso vai se concretizar com você correndo atrás deles ou sentado numa cadeira.

A vida é bonita pra caralho, nossos amigos e nossa familia são uma rede preguiçosa pra se deitar e principalmente nunca é tarde pra dizer NÃO praquela coisa que você insiste e só te traz dor e SIM praquelas coisas esquecidas no fundo da gaveta que te deixavam feliz de uma forma que nem você próprio sabe explicar. Um churrasco? Jogar RPG numa tarde com os amigos comendo biscoito? Comer pastel com pimenta sem nenhum dinheiro no bolso sonhando que seu negócio um dia vai ser legal ou quem sabe fazer uma gentileza que pra você não é nada mas quem quem está recebendo vai ser um gesto imensurável de carinho, afeto e preocupação.

Vamo que vamo que a vida taí, passando com tudo que importa, acenando e te oferecendo carona enquanto você fica ai de cabeça baixa vendo no seu FB a vida dos outros e imaginando que ela poderia ser a sua quando na verdade nunca vai ser.

MVPs e a frustração do cliente: lean startup a que custo?

Agora pela manhã me deparei com a notícia, comum hoje em dia, de um jogo que foi lançado no prazo mas cheio de bugs e instabilidades. Comum pois com o advento da tecnologia e de consoles de video game cada dia mais “inteligentes” e conectados, as empresas, seja lá qual tamanho tenham, estão cada vez mais viciadas no recurso de download de atualizações que as deixou, sim, preguiçosas em ter um controle de qualidade real como antigamente.

Lembro que na minha época nos jogos das plataformas 8/16/32 bits (Atari, Nintendinho, Master Systen, Super Nes, Mega Drive … vou parar porque a lista é grande) quase inexistiam esses bugs bizarros. Não existia essa de baixar atualizações (nem internet tinha direito) e as produtoras se esforçavam ao máximo para entregar jogos quase perfeitos: ou o jogo era maneiro ou os jogadores taxavam o jogo de todos os impropérios juvenis que se possa imaginar (só me lembro do “jogabilidade podre“).

Resultado de hoje: um sem número de clientes e early adopters frustrados com downloads intermináveis (alias, ligue agora seu PS4 e talvez você já tenha uma atualização lá hahaha), experiência de consumo recheada de frustração e um número de infinito de vídeos no Youtube com os bugs mais bizarros. Alias, com esses jogos agora com motores de simulação de física reais os bugs são cada vez mais engraçados – procure por glitch ou glitches.

Hoje em dia, como quase tudo que é atualizável, todos sofrem diretamente com a mania do MVP, sacrificando a qualidade final (ou aceitável) de um produto em nome do time-to-market, de investidores/empresas $edento$ por re$ultado$ e a desculpa de que “a gente pode lançar um patch depois né? o que importa é tirar a galera da seca”.

O termo MVP (Minimum Viable Product ou Produto Viável Mínimo) foi popularizado (diz a Wikipedia) no icônico livro Lean Startup (Startup Enxuta em português) do Eric Ries.  Ele diz:

Um produto minimamente viável (MVP) é a “versão de um novo produto que permite a equipe a coletar a quantidade máxima de aprendizagem validadas sobre clientes com o mínimo esforço.” – Wikipedia

Isso é totalmente válido na validação/desenvolvimento de negócios e novos nichos de mercado: afinal, quando a Apple por exemplo estava criando o iPod, a gente sequer imaginava que isso podia existir daquela forma – então, como saber o que as pessoas querem e definir a qualidade e atributos finais do produto? Porém, hoje com essa pre$$a e imediatismo em fazer dinheiro rápido os lançamentos de produtos (sejam games ou softwares) esquecem-se cada vez mais da qualidade mínima que um produto deveria ter para atender minimamente a satisfação do usuário ou invés de usa-lo como cobaia no processo de coleta de feedback.

Um tipo de MVQ (Mininum Viable Quality ou Qualidade Viável Mínima) deveria fazer parte integral do processo de lançamento de um produto. Quais são realmente as necessidades mínimas que preciso entregar pro meu cliente pra que ele fale “esse é um produto de qualidade”. Um consumidor de jogos precisa minimamente que o frame rate dos jogos não degrade em cenas com muitos elementos, principalmente em jogos de luta. Um consumidor de um software de estatística de negócio precisa de uma forma fácil de agregar seus dados para gerar seus gráficos. E por ai vai …

Esse MVQ deveria fazer parte do todo mas é totalmente ignorada desse pega-estica-e-puxa entre o dilema de se ter tempo de acabar bem o produto e o temos-que-ter-um-time-to-market-rapido-porque-estamos-sem-grana tirano.

Agora deixa eu ver se tem uma atualização aqui rapidin …

 

O Globo Play, noveleiros e consumidores de conteúdo alternativo?

Foi anunciado nessa terça (03/11/15) o lançamento do Globo Play, a plataforma de digital de conteúdos da Globo. Parafraseando, “é possível acessar a programação da emissora – jornalismo, esporte e entretenimento – em computadores, smartphones e tablets.”. Ok. Mas hoje quase todo mundo tem isso!

Poderia ser normal e natural, mas quando uma emissora do tamanho da Globo faz um movimento desse (e com a capacidade brutal de produção de conteúdo que eles tem) a consternação com o fato da TV como a TV é vai morrer se mistura ao fato de que: não, a TV não vai morrer nem virar um shopping onde você aponta o controle e compra. A TV vai se fundir com a Internet MESMO.

Não se fundir como aqueles programas dinâmicos com #hashtags, leituras de tweets ao vivo e toda uma parafernalha que, sinceramente, o “povo da internet” acha chato e até incomodo (exceto quando uma pessoa como a Paula Tejano e Thomas Turbano manda um tweet lido ao vivo).

A fusão mais palpável é o que está acontecendo hoje por exemplo com o mundo do cinema dos quadrinhos. A Marvel fez/faz um trabalho magistral, fazendo filmes com grandes personagens, inflando todo um cenário e mundo fértil que fomentam a inserção de personagens secundários. Esses personagens já geraram filmes, spin-offs e a um ano começou a gerar seriados como o Demolidor e alguns outros que irão estrear esse ano. E advinhe só: fatos acontecidos no filme afetam diretamente os seriados e começa agora o movimento contrário de fatos das mini-séries começando a aparecer e gerar filmes.

Por que falo do cenário da Marvel… o consumidor de novelas é um consumidor tão (ou mais) voraz de histórias (quando cheia de reviravoltas, intrigas e espetacularização do ser humano) quanto o consumidor regular de quadrinhos em certo ponto. Até mais voraz e passional na verdade com personagens cruéis e ruins. Hoje, o mesmo público que assiste as novelas é o que acessa o ZapZap o dia inteiro, sabe das novidades no Facebook, vê vídeo de gatinho no Youtube e não tem mais aquela limitação da “inclusão digital” como obstáculo para procurar as coisas na internet. Esse MESMO público assistiu seriados (e ainda assiste) na época do SBT. E advinhe só: ele adora entender o que acontece com seus personagens preferidos (pro bem ou pro mal) e lembra até dos detalhes mais simples.

Minha provocação é: a Globo Play pode potencialmente criar novos consumidores híbridos de conteúdo? Tiazinhas noveleiras que vão acessar conteúdo exclusivo sobre seu personagem preferido na Internet? Uma nova geração de gente que corre pra não perder o horário da novela e depois irá correr pra internet porque ficou sabendo que liberaram o vídeo falando da origem do nome do “João Pipoca”?

Embora as novelas não mimetizem de forma tão forte o conceito do monomito como os seriados/filmes/quadrinhos fazem para criar toda uma esfera de fascínio, existem um link muito forte entre o espectador e seus personagens nas novelas. Isso ja seria o suficiente para essa nova geração acostumada com videos e youtube a não ter medo nem preguiça de buscar conteúdos exclusivos quando “chamados” da forma certa pra isso.

Na novela Torrentes da Paixão, João Pipoca é um cara legal e que todos conhecem por ajudar todo mundo. Maria do Carmo é uma mulher severa e com o coração amargurado por uma paixão não resolvida. José Wilker é um cara misterioso e que tem alguma relação com Maria do Carmo.

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Durante o arco 1 da história, a Globo avisa no final da novela “veja em Globo Play outras histórias de João Pipoca”. No fervor do arco 2, onde descobrem que Maria do Carmo tinha outro nome a Globo solta “descubra porque Maria se transformou em Maria do Carmo no Globo Play”. No arco 3, José visivelmente fica nervoso quando lhe perguntam sobre como conquistou sua fortuna. A Globo solta “O Segredo de José, agora no Globo Play”. No arco 4, acontece um encontro entre Maria do Carmo e José Wilker. Durante o encontro, algumas coisas que acontecem tem ligações diretas com as subtramas contadas nos videos adicionais, como o corte de cabelo diferente que a Maria do Carmo usa (no video sobre ela, ela deixa de usar cabelo longo e para usar um mais curto por um motivo X … não vou falar aqui, assista o vídeo).

Hoje, mais do que nunca, podemos esperar mais que o vídeo da música das Periguetes? Por uma TV com mais Avenidas Brasil com conteúdo exclusivo. 🙂

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