Archive for fevereiro \20\UTC 2009

Como um programador mata um Dragão

fevereiro 20th, 2009

Java
Chega, encontra o dragão. Desenvolve um framework para aniquilamento de dragões em múltiplas camadas. Escreve vários artigos sobre o framework, mas não mata o dragão.

.NET

Chega, olha a idéia do Javanês e a copia, tenta matar o dragão, mas é comido pelo réptil.

ASP
Os componentes necessários para levantar a espada são proprietários e caros. Outros tantos componentes proprietários para achar a localização do dragão, e mais outros tantos a localização da princesa. Chama então seu amigo programador de PHP.

C
Chega, olha para o dragão com olhar de desprezo, puxa seu canivete, degola o dragão. Encontra a princesa, mas a ignora para ver os últimos checkins no cvs do kernel do linux.

C++
Cria um canivete básico e vai juntando funcionalidades até ter uma espada complexa que apenas ele consegue entender … Mata o dragão, mas trava no meio da ponte por causa dos memory leaks.

COBOL
Chega, olha o dragão, pensa que tá velho demais para conseguir matar um bicho daquele tamanho e pegar a princesa e, então, vai embora de volta ao seu mundinho.

Pascal
Se prepara durante 10 anos para criar um sistema de aniquilamento de dragão… Chegando lá descobre que o programa só aceita lagartixas como entrada.

VB
Monta uma arma de destruição de dragões a partir de vários componentes, parte pro pau pra cima do dragão e, na hora H, descobre que a espada só funciona durante noites chuvosas…

PL/SQL
Coleta dados de outros matadores de dragão, cria tabelas com N relacionamentos de complexidade ternária, dados em 3 dimensões, OLAP, demora 15 anos para processar a informação. Enquanto isso a princesa virou lésbica.

PHP
Pesquisa bancos de scripts e acha as classes de construção de espada, manuseio da espada, localização da princesa e dragão. Remenda tudo e coloca umas firúlas próprias.
Mata o dragão e casa com a princesa. Como tudo foi feito com gambiarras, o dragão um dia vai ressuscitar e comer os dois.

Ruby
Chega com uma p*t* fama, falando que é o melhor faz tudo, quando vai enfrentar o dragão mostra um videozinho dele matando um dragão … O dragão come ele de tédio.

Smalltalk
Chega, analisa o dragão e a princesa, vira as costas e vai embora, pois eles são muito inferiores.

ASSEMBLY
Acha que está fazendo o mais certo e enxuto, porém troca um A por D, mata a princesa e transa com o dragão.

Shell
Cria uma arma poderosa para matar os dragões, mas na hora H, não se lembra como usá-la.

Shell (2)
O cara chega no dragão com um script de 2 linhas que mata, corta, stripa, pica em pedacinhos e empalha o bicho, mas na hora que ele roda, o script aumenta, engorda, enfurece e coloca álcool no fogo do dragão.

Fortran
Chega desenvolve uma solução com 45000 linhas de código, mata o dragão vai ao encontro da princesa … Mas esta o chama de tiuzinho e sai correndo atrás do programador java que era elegante e ficou rico.

FOX PRO
Desenvolve um sistema para matar o dragão, por fora é bonitinho e funciona, mas por dentro está tudo remendado. Quando ele vai executar o aniquilador de dragões lembra que esqueceu de indexar os DBF’s.

CLIPPER
Monta uma rotina que carrega um array de codeblocks para insultar o dragão, cantar a princesa, carregar a espada para memória, moer o dragão, limpar a sujeira, lascar leite condensado com morangos na princesa gostosa, transar com a princesa, tomar banho, ligar o carro, colocar gasolina e voltar pra casa. Na hora de rodar recebe um “Bound Error: Array Access” e o dragão come ele com farinha.

ANALISTA DE PROCESSOS
Chega ao dragão com duas toneladas de documentação desenvolvida sobre o processo de se matar um dragão genérico, desenvolve um fluxograma super complexo para libertar a princesa e se casar com ela, convence o dragão que aquilo vai ser bom pra ele e que não será doloroso. Ao executar o processo ele estima o esforço e o tamanho do estrago que isso vai causar, consegue o aval do papa, do Buda e do Raul Seixas para o plano, e então compra 2 bombas nucleares, 45 canhões, 1 porta aviões, contrata 300 homens armados até os dentes, quando na verdade necessitaria apenas da espada que estava na sua mão o tempo todo.

Roupas, fiapos, lembranças e alguns livros

fevereiro 17th, 2009

Na vastidão tua, e um pouco do além sentimento, minha compenetração beira o alarde silencioso do ébrio. Os sentidos perdidos no fundo do copo misturam-se no balanço do corpo outrora inerte, outrora sereno, outrora

imultável.

Os olhos revolvem as intenções em busca de um alento justificável ou menos senil. As inverdades perduram em volta do que fora o templo de tudo, adornando o sem número de pescoços dependurados sobre as imensas paredes da

consciência.

Copo, corpo … corpo, copo …  copo, corpo … copo, corpo … copo, copo … o encejo do já tênue confunde, comprime, corrompe a lógica. O escape aturdido confunde-se com o meio já debilitado.

Véu e céu revestem gente e sonhos, respectivamente. O que fora áspero enfim tornara-se agradável ao recosto dos dedos, olhos e lábios. A imperfeição mais evidente moldara-se numa peça de admirável bom gosto estético, digna de admiração, norteios e adjetivos afins. E as palavras … as palavras entrecortam-se afunilando intenções tardias e vindouras para breve e depois, num sentido de normalidade casual geralmente e infinitamente distoante do que deveria-se ter a seguir.

Os dentes, dispostos numa cadência de vãos-dente-váo-dente-vãos-dente finita, exibem certo esplendor e quase uma expressão própria: os dentes fitam em seu esplendor perfilado e contínuo … finito.

O que os lábios traduzem afinal ? No limiar do compreensível eles aproximam-se do injustificável, onipresente e sensivelmente tenro. Talvez o sentido realmente não seja mais que algumas bobagens alocadas coincidentemente numa sequencia que em certo plano de possibilidades teria, claro, uma razão.

O que é a vida senão uma sequência deliciosamente abominável de possibilidades aleatórias. De sorrisos perdidos e lástimas escondidas no fundo do bolso. De dentes exemplares e cabelos ruivos, loiros, negros, desgrenhados. De faces desconhecidas em nossos momentos mais importantes. De mãos furtivas tateando nossos valores e esperanças. Mãos nossas, mãos deles … mãos suas.

Mas que se dane! Diluo meu âmago pouco a pouco em um copo de alcool e logo logo tudo volta a ser como antes: feliz, finito e imutável.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes