[ES] RIA's pegam por aqui ?

2 de julho de 2008 by Léo Hackin Deixe um comentário »

A sopa de letrinhas é infinita: desde as badaladas FLASH,FLEX, AJAX, RAILS, Prototype, passando por mais obscuras como DOJO, extJS, até as novas AIR, SILVERLIGHT, YUI e por ai vai. As RIAs (Rich Internet applications) estão para a nova onda marketeira chamada “web 2.0″ (já tem gente falando da 3.0) como o o boom do PHP/ASP esteve para a transição de sites estáticos para dinâmicos.

O alarde é muito, mas será que realmente isso pega ou já pegou por aqui ?

Olhando um breve histórico da internet capixaba, podemos situar o verdadeiro boom de customização de informação e gerenciamento destas como sendo um fator relativamente novo no mercado, assim como o BOOM de agências e empresas voltadas para esse segmento do mercado.

Embora recente, a maturação do mercado capixaba de internet apresentou um salto quantitativo de qualidade no que diz respeito a qualidade tanto de arquitetura de informação quanto de soluções tecnológicas. O que se vê hoje são produções mais voltadas à usabilidade do público, e não à simples vaidade do cliente/designer. Soluções tecnológicas mais voltadas ao resultado do que a idéia simplista de “pioneirismo” ou “queremos ganhar um prêmio” num mercado onde não existe pioneirismo e sim uma contínua convergência de funcionalidades já existentes numa “fachada” mais otimizada, funcional e claramente fácil de ser utilizada pela onda de novos usuários que entram na internet todos os dias.

E onde vemos RIA por aí ? Não vemos.

Exceto pela publicidade (com banners em flash, vídeo, audio e por ai vai que se apoiam geralmente de ferramentas voltadas para RIA), as soluções para o “feijão com arroz” da internet (não é só aqui, mas em quase todo lugar) embasadas numa filosofia de RIA ainda são uma realidade distante. Culpa da agência/designer? A culpa geralmente são dos clientes.

Convencer e vender sempre foi uma arte, ainda mais num estado onde a pexinxa impera. Convencer e vender algo abstrato como um website então … ainda é um desafio num mercado recente e que não está completamente lúcido sobre o que significa “internet” em seus negócios, seja como agregador de valor, seja como ferramenta competitiva … até mesmo como principal produto!

Junte a falta de lúcidez ou devida importância dada à algumas cifras adicionais ao projeto do cliente (custo mais que justificável para desenvolver uma ferramenta RIA autêntica) e tudo vai por água abaixo, seja isso especificado como opcional ou mesmo diluído no orçamento. Se for opcional, geralmente o cliente vai dizer “funciona? se funciona, eu quero o mais barato!”.

Parte do fato da ausência de RIA’s no estado pode-se atribuir também à onda marketeira do “web 2.0″. Vendia-se (e ainda vende-se) as vezes gato por lebre, ou melhor dizendo um punhado de solicitações XMLHttpRequest com alcance funcional restrito a população de campos por RIA.

Outro fator é a confusão entre RIA e web 2.0 (ou sejá lá o que as pessoas gostem de chamar essa onda colaborativa que fundamentou o termo). Um aplicativo RIA não justifica, por si só, que um aplicativo também é web 2.0 … e o contrário é mais que verdadeiro: vários aplicativos da dita  “leva de aplicações web 2.0″ nem ao menos tem ferramentas de RIA implementadas. Se muito, um Ajax aqui ou ali.

Ou seja: vender um site repleto de Ajax por toda página não quer dizer que ele seja um aplicativo web 2.0 …

Felizmente, o mercado hoje está bem melhor: os webdesigners evoluiram para designers de interface, os programadores “UParam” para desenvolvedores e as agências estão muito mais antenadas do que rola lá foda em termos de tecnologia e metodologia (esta última, ainda não muito difundida infelizmente).

Resumo da ópera: enquanto o mercado não estiver $$preparado$$ para a RIA, a internet (ao menos capixaba) ainda vai tender à projetos de interatividade síncrona. É tempo de estudar bastante, ver oportunidade, capacitar-se e quando “tirarem o escorpião do bolso” correr pro abraço.

Simbora!


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1 comentário

  1. Leo Cabral disse:

    Estava a pensar nisso há algum tempo. Assim como o Ajax foi o “DHTML” da sua época de lançamento, a Web2.0 é o novo “DHTML” no que diz respeito ao alarde feito e o seu propósito real. O que temos hoje são logos estilo “Web2″, escalas de cores estilo “Web2″ e tipografias estilos “Web2″ em aplicações não tão Web-dois-ponto-zero.

    O termo “rede social” tempos atrás era uma forma de descrever a World Wide Web e hoje soa meio azedo descrevê-la dessa forma porque para muitas pessoas rede social é algo mais restrito, como um aplicativo Web (eu diria que é bem como chamar um sapateiro de armário de “sapataria”). Talvez estejamos sendo soberbos demais sobre coisas meramente estéticas e pontuais. Talvez estejamos festejando muito o nosso ego e não pensando devidamente no propósito do que está sendo criado. Ainda há um abismo entre a experiência do usuário e a necessidade urgente de reinventar a roda mais bonita e atraente e justificar o retorno do investimento.

    Acredito que falta uma análise da obsolescência do que existe agora para pensar melhor no amanhã; aí talvez possamos aplicar números de versões em coisas intangíveis com mais propriedade.

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